{"id":467,"date":"2023-04-08T09:15:40","date_gmt":"2023-04-08T12:15:40","guid":{"rendered":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/?p=467"},"modified":"2023-04-08T09:15:40","modified_gmt":"2023-04-08T12:15:40","slug":"o-ser-h-moreno-r-traducao-de-wilson-coelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/2023\/04\/08\/o-ser-h-moreno-r-traducao-de-wilson-coelho\/","title":{"rendered":"O SER \u2013 H. Moreno R.* \u2013 Tradu\u00e7\u00e3o de Wilson Co\u00ealho"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-468\" src=\"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Captura-de-tela-de-2023-04-08-09-14-26.png\" alt=\"\" width=\"806\" height=\"516\" srcset=\"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Captura-de-tela-de-2023-04-08-09-14-26.png 806w, https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Captura-de-tela-de-2023-04-08-09-14-26-300x192.png 300w, https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Captura-de-tela-de-2023-04-08-09-14-26-768x492.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/p>\n<p>Toda filosofia que aspira a ter validade e universalidade deve ser um pensamento a partir de uma situa\u00e7\u00e3o, uma reflex\u00e3o da realidade da qual o homem em particular faz parte; no nosso caso, a partir da situa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de Chimborazo, uma realidade em que cada comunidade vive, sofre, desfruta e tenta mudar. Ou seja, buscamos uma filosofia que, sendo express\u00e3o de um mundo cultural concreto, descubra seu &#8220;pr\u00f3prio estar sendo assim&#8221;, dentro de um contexto, neste caso equatoriano e latino-americano; que, em \u00faltima an\u00e1lise, nos ajuda a descobrir o que somos e as circunst\u00e2ncias em que somos.<\/p>\n<p>Uma parte importante do nosso mundo hist\u00f3rico cultural, que marca uma certa caracter\u00edstica constitutiva (em suma, o substrato comum e \u00faltimo de toda a realidade latino-americana), parece ser o mundo nativo descrito no cap\u00edtulo anterior com toda a sua complexidade hist\u00f3rica, sua vis\u00e3o m\u00edtico-m\u00e1gica do mundo, ainda em vigor no ser cultural dos ind\u00edgenas, com todas as suas virtualidades e defeitos, com todos os ultrajes e sobreposi\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Dizemos que existe um estar sendo assim**, pertencente ao latino-americano e oculto nas entranhas dos ind\u00edgenas, n\u00e3o reconhecido como tal pelos fil\u00f3sofos europeus em particular, e pela civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em geral. At\u00e9 hoje era praticamente imposs\u00edvel alcan\u00e7ar o mundo interior dos ind\u00edgenas latino-americanos e, no nosso caso espec\u00edfico, dos ind\u00edgenas de Chimborazo.<\/p>\n<p>Essa impossibilidade de se chegar \u00e0 realidade ind\u00edgena como uma realidade aut\u00eantica se deve ao fato de o \u00edndio ter sido considerado pelo europeu como alijado do ser, marginalizado dele, humilhado, at\u00e9 certo ponto considerado como n\u00e3o ser, porque n\u00e3o \u00e9 como o europeu, considerado este como o \u00fanico modelo de ser.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dentro do mundo latino-americano, o ser ind\u00edgena at\u00e9 recentemente nem sequer fazia parte do povo, estava fora dele como um p\u00e1ria desta sociedade pr\u00f3-europeia e pr\u00f3-crist\u00e3, negando-lhe todos os tipos de direitos, mas impondo-lhe todos os tipos de deveres e obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde a exterioridade do ser, no qual ele tem sido inserido, ser\u00e1 afirmado agora o pr\u00f3prio ser do ind\u00edgena, que ao mesmo tempo \u00e9 o substrato b\u00e1sico do que o ser latino-americano poderia ser. Tomar essa atitude significa, para usar os termos de Dussel, &#8220;sair da situa\u00e7\u00e3o dos oprimidos em uma cultura de sil\u00eancio, da ades\u00e3o culpada, com vida, pensamento e palavras, a uma autodomestica\u00e7\u00e3o para que outros possam colher os benef\u00edcios da opress\u00e3o&#8221;. (Dussel; 1971: 27).<\/p>\n<p>Isso leva a uma dupla supera\u00e7\u00e3o: do universalismo abstrato da filosofia europeia moderna, ideologia das ideologias que justificam a vontade de poder que os pa\u00edses do centro exercem sobre a periferia mundial; e o populismo ing\u00eanuo, dos m\u00e9todos imitativos de outros horizontes pol\u00edticos e n\u00e3o propriamente latino-americanos. S\u00f3 assim podemos esclarecer as categorias que permitem que as na\u00e7\u00f5es latino-americanas e as classes dependentes e dominadas se libertem da &#8220;opress\u00e3o do ser, como fundamento do sistema mundial vigente, nacional e neocolonial&#8221; (Dussel; 1975: 221).<\/p>\n<p>A partir dessa vis\u00e3o temos que interpretar o ser do ind\u00edgena.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos repetir servilmente as mesmas categorias usadas pelo pensamento europeu, mas devemos partir de todo o grande substrato m\u00edtico-m\u00e1gico do passado ind\u00edgena, de toda a complexidade hist\u00f3rica e dos repetidos processos de adapta\u00e7\u00e3o que os ind\u00edgenas tiveram que adotar para continuar subsistindo e continuar a manter de alguma maneira sua pr\u00f3pria identidade.<br \/>\nA filosofia do ser europeu n\u00e3o s\u00f3 condenou a n\u00e3o ser tudo o que n\u00e3o se enquadra na sua compreens\u00e3o ontol\u00f3gica, como com esta mesma situa\u00e7\u00e3o a reduziu a ser de e para outro. Mas esse &#8220;n\u00e3o-ser&#8221; que o ind\u00edgena foi condenado, precisamente, torna-se o ponto de partida de seu pensamento e afirma\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio ser. Prop\u00f5e-se assim uma metaf\u00edsica do homem, concreta, relativo-absoluta, capaz de exprimir a sua pr\u00f3pria substantividade, a sua liberdade e a sua responsabilidade. Em suma, isso significa estabelecer uma op\u00e7\u00e3o-\u00e9tico-pol\u00edtica em favor da periferia oprimida, sendo seu principal representante o ind\u00edgena de estatura, que parte da \u00fanica coisa real: seu simples ser assim&#8221;.<\/p>\n<p>*MORENO R., Hugo O. Introducci\u00f3n a la Filosofia Ind\u00edgena. Riobamba: Pontificia Universidad Catolica del Ecuador, 1983, pp. 106-108.<\/p>\n<p>** Estar sendo assim: \u00c9 um conceito tomado emprestado de Carlos Cullen, em sua obra &#8220;Fenomenologia da Crise Moral&#8221;. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o imediata da autoconsci\u00eancia-na\u00e7\u00e3o consigo mesma. \u00c9 a racionalidade da vida. \u00c9 a raz\u00e3o dos povos que est\u00e1 meramente l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/2023\/04\/08\/o-ser-h-moreno-r-traducao-de-wilson-coelho\/\">Leia mais&#8230; &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":468,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=467"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":469,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467\/revisions\/469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}