{"id":424,"date":"2022-12-28T10:07:36","date_gmt":"2022-12-28T13:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/?p=424"},"modified":"2022-12-28T10:10:50","modified_gmt":"2022-12-28T13:10:50","slug":"424","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/2022\/12\/28\/424\/","title":{"rendered":"CASAGRANDE X SENZALA = A CENA SE REPETE \u2013 Wilson Co\u00ealho"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 os desavisados sabem que Renato Casagrande n\u00e3o passa de um substituto de Paulo Hartung no governo do Esp\u00edrito Santo, ou seja, ocupa o cargo de governador apenas como um t\u00edtere dos grandes empres\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo. Desgra\u00e7adamente, por puro pragmatismo, tendo em vista a situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds, o PT abriu m\u00e3o de uma candidatura pr\u00f3pria, que seria a de Fabiano Contarato, praticando uma adapta\u00e7\u00e3o ao indesej\u00e1vel, <i>ipso facto<\/i>, o Partido tomou uma decis\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 pr\u00f3pria vontade, entendida como princ\u00edpio norteador de suas pol\u00edticas e, por isso, \u00e9 levado a se omitir devido \u00e0s suas necessidades contextuais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-428 size-medium\" src=\"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/images-1-1-300x266.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/images-1-1-300x266.jpeg 300w, https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/images-1-1.jpeg 451w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Por um lado, parece interessante quando isso se d\u00e1 a partir da ideia de sustentabilidade, objetividade, realismo e praticidade de um governo, devido ao acordo com o PSB \u2013 Partido Socialista Brasileiro, de M\u00e1rcio Fran\u00e7a, abrindo m\u00e3o de sua candidatura e a favor de Fernando Haddad e a vice de Geraldo Alkmin, mas \u2013 por outro \u2013 torna-se perverso quando entendemos que tudo redunda no mais mal\u00e9volo de seu conte\u00fado, a concilia\u00e7\u00e3o com o neoliberalismo em pleno exerc\u00edcio da ren\u00fancia de um projeto socialista. Era a hora do PT dar um basta ao Esp\u00edrito Santo em A\u00e7\u00e3o e outros projetos burgueses que t\u00eam apenas a finalidade de explorar os trabalhadores do estado, atrav\u00e9s de privatiza\u00e7\u00f5es, do desrespeito ao meio ambiente, do fechamento de escolas, principalmente as do campo, do exterm\u00ednio da juventude negra, do feminic\u00eddio e da incapacidade de enfrentar as desigualdades sociais, escamoteando com a propaganda do projeto desenvolvimentista para o pa\u00eds, onde os trabalhadores do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o passam de m\u00e3o de obra barata e massa de manobra. Nesse sentido, devido a conjuntura do momento que conduzia para uma elei\u00e7\u00e3o polarizada, e o enfrentamento ao avan\u00e7o do fascismo junto ao Estado brasileiro, a candidatura ao Governo do PT e a possibilidade de candidatura avulsa ao Senado foi equivocadamente retirada em nome do acordo nacional.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito que dizer sobre a tirania desse governo de Renato Casagrande, mas parece mais que necess\u00e1rio ressaltar sua estrat\u00e9gia de embrutecimento da sociedade para que a classe dominada n\u00e3o perceba seus assaltos \u00e0 consci\u00eancia. \u00c9 p\u00fablico e not\u00f3rio que, num regime dito democr\u00e1tico, n\u00e3o cabe ao Estado produzir cultura, mas propiciar meios para que a sociedade civil o fa\u00e7a. Inclusive, temos garantido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, em seu Art. 215 que \u201cO Estado garantir\u00e1 a todos o pleno exerc\u00edcio dos direitos culturais e acesso \u00e0s fontes da cultura nacional, e apoiar\u00e1 e incentivar\u00e1 a valoriza\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Ratificando a Carta Magna, a Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Esp\u00edrito Santo, de 1989, no que diz respeito \u00e0 Cultura, assegura que:<\/p>\n<p>Art. 181 \u2013 O Poder P\u00fablico garantir\u00e1 a todos o pleno exerc\u00edcio dos direitos \u00e0 cultura, atrav\u00e9s:<\/p>\n<p>I \u2013 da garantia da liberdade de cria\u00e7\u00e3o, express\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o intelectual e art\u00edstica e do acesso a todas as fontes e formas de express\u00e3o cultural;<\/p>\n<p>II \u2013 do incentivo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cultural e ao desenvolvimento da criatividade;<\/p>\n<p>III \u2013 da prote\u00e7\u00e3o das express\u00f5es culturais populares, ind\u00edgenas, afro-brasileiras e das outras etnias ou grupos participantes do processo cultural;<\/p>\n<p>IV \u2013 do acesso e da preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria cultural e documental.<\/p>\n<p>Etc., etc.<\/p>\n<p>Ainda, cumpre-nos acrescentar:<\/p>\n<p>\u201cArt. 184 \u2013 Ser\u00e1 assegurada, na forma da lei, a participa\u00e7\u00e3o de entidades da sociedade civil na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica estadual de cultura.\u201d<\/p>\n<p>Transcrevemos esses dados constitucionais apenas para tentar fazer lembrar o papel do Estado no cumprimento de suas fun\u00e7\u00f5es, embora seja escusado dizer que \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de todo gestor p\u00fablico e respons\u00e1vel pela pasta da Cultura ter o conhecimento de todas essas informa\u00e7\u00f5es como princ\u00edpio b\u00e1sico para quaisquer de suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pode parecer aned\u00f3tico ou desnecess\u00e1rio citar todos esses artigos, mas o fazemos mediante uma realidade em que os mesmos t\u00eam sido descumpridos como se o governo ou a administra\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o tivesse a necessidade de pensar a pol\u00edtica cultural como uma quest\u00e3o do Estado, como Cl\u00e1usula p\u00e9trea.<\/p>\n<p>Temos percebido, desde a posse desse governo, principalmente no que diz respeito \u00e0 Cultura, um total desrespeito a esses princ\u00edpios garantidos pelas constitui\u00e7\u00f5es, desde a federal at\u00e9 a estadual.<\/p>\n<p>Desde que se instalou o Conselho Estadual de Cultura e, diante da necessidade de fazer uma elei\u00e7\u00e3o para os novos conselheiros, houve uma tentativa de neutralizar o espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o das entidades. H\u00e1 uma s\u00e9rie de documentos que comprovam isso, inclusive, protocoladas em diversos \u00f3rg\u00e3os do governo, at\u00e9 para o governador. Depois de muito esfor\u00e7o e luta, com a participa\u00e7\u00e3o de 14 entidades culturais de diversas \u00e1reas, firmada em documento, conseguimos reverter o processo autorit\u00e1rio da Secretaria de Estado da Cultura \u2013 Secult-ES.<\/p>\n<p>Mas apesar da derrota da Secult sobre o alijamento das entidades no processo eleitoral, ela ainda se mant\u00e9m autorit\u00e1ria e reticente no que diz respeito a essas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Haja vista, quando apresentou os Editais Funcultura 2020, sem dizer que, em 2019, os editais n\u00e3o foram cumpridos, considerando que se abriram as inscri\u00e7\u00f5es no final do ano para que se realizassem em 2020. N\u00e3o temos a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento de 2019, nem como o mesmo foi utilizado nas atividades meio e fim, nem dos anos que se seguiram. E n\u00e3o houve presta\u00e7\u00e3o de contas e nenhuma justificativa, embora tenha havido cobran\u00e7a no Plen\u00e1rio do Conselho Estadula de Cultura. E diante da reticente disposi\u00e7\u00e3o da Secult em apresentar a presta\u00e7\u00e3o de contas, foi necess\u00e1rio a apresenta\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o de uma Resolu\u00e7\u00e3o pelo CEC, para que a Secult de fato cumpra a obriga\u00e7\u00e3o de prestar contas da execu\u00e7\u00e3o anual das pol\u00edticas de cultura do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Voltando aos Editais Funcultura 2020 que, estrategicamente foram lan\u00e7ados no final do ano para que somente acontecessem em 2021, em car\u00e1ter de urg\u00eancia, jogados no colo dos conselheiros, n\u00e3o para que participassem como representantes das entidades da sociedade civil, mas como coadjuvantes na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, apenas como representantes nulos e meramente na condi\u00e7\u00e3o de emitirem um referendo justificando a inoper\u00e2ncia do Estado e para adequarem os projetos da sociedade civil de acordo com os interesses do governo.<\/p>\n<p>Recapitulando, em 2000 foi criada a Lei de Incentivo Fiscal (6.223\/2000) do ICMS, por Enivaldo dos Anjos, no Governo Jos\u00e9 In\u00e1cio. Em 2003, essa lei foi revogada por Paulo Hartung que fechou o Conselho Estadual de Cultura, mas \u2013 com o avan\u00e7o da pol\u00edtica federal do governo Lula \u2013 acabou reorganizando o Conselho em 2007. Em julho de 2008, atrav\u00e9s do decreto 2.100R veda a celebra\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios como festivais, festas, feiras e etc&#8230; e, em agosto criou o COMPET n\u00ba 15 (Contrato de Competitividade) dando isen\u00e7\u00e3o fiscal para o setor comercial atacadista que cria o INSTITUTO SINCADES para administrar o dinheiro p\u00fablico na pol\u00edtica cultural do estado. Logo em seguida, em outubro de 2008, cria o FUNCULTURA. Em 2014, o Plano Estadual de Cultura foi aprovado na Assembleia Legislativa e que deveria ser implementado para um prazo experimental de 10 anos. Paulo Hartung foi eleito governador e nada aconteceu.<\/p>\n<p>Renato Casagrande, eleito em 2018, publicou, em maio de 2019, por orienta\u00e7\u00e3o de seu Secret\u00e1rio de Cultura, Fabr\u00edcio Noronha, um decreto tirando o poder das entidades na indica\u00e7\u00e3o de membros para o CEC, quando se deram conta da manobra e da arbitrariedade da norma, as entidades, com decisiva participa\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Permanente, com 16 entidades do setor cultural, travaram uma batalha de quase um ano para sua revoga\u00e7\u00e3o, feita a contragosto do secret\u00e1rio. Reunimos o F\u00f3rum Permanente com 16 entidades e, depois de uma insistente luta contra a arbitrariedade do Presidente, Secret\u00e1rio Fabr\u00edcio Fernandes Noronha, gastando todo o ano de 2019, atrav\u00e9s do CEC conseguimos derrubar o decreto por meios legais, por descumprir o regimento, tendo esse sido aprovado em uma reuni\u00e3o sem o qu\u00f3rum necess\u00e1rio espec\u00edfico para a mat\u00e9ria. O Plano Estadual de Cultura \u2013 PEC que expira em 2024, n\u00e3o foi implementado porque para faz\u00ea-lo seria necess\u00e1rio realizar a Confer\u00eancia Estadual com todo o movimento cultural. Mas o Secret\u00e1rio de Cultura chega no CEC propondo uma reforma no PEC.<\/p>\n<p>Em 2019, o Plano Estadual de Cultura \u2013 PEC n\u00e3o foi implementado porque para faz\u00ea-lo seria necess\u00e1rio realizar uma Confer\u00eancia com todo o movimento cultural. Mas o Secret\u00e1rio de Cultura chega no CEC propondo uma reforma no PEC.<\/p>\n<p>ois problemas s\u00e9rios: o primeiro \u00e9 que para se reformular o PEC se faria necess\u00e1rio implement\u00e1-lo no prazo experimental para que se pudesse corrigir suas poss\u00edveis falhas e\/ou insufici\u00eancias na pr\u00e1tica e, depois, por ele ter sido constru\u00eddo a partir de escutas p\u00fablicas com todos os segmentos culturais. O Secret\u00e1rio de Cultura faz uma proposta de reformula\u00e7\u00e3o vertical atrav\u00e9s do Instituto Jones dos Santos Neves.<\/p>\n<p>O PEC foi formulado a partir de confer\u00eancias e assembleias que abrangeram 76 dos 78 munic\u00edpios capixabas, atrav\u00e9s de uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, realizadas nas 10 regi\u00f5es administrativas do estado.<\/p>\n<p>Depois, o governo Casagrande criou a Lei de Incentivo \u00e0 Cultura Capixaba &#8211; LICC, Lei n\u00ba 11.246 de 07\/04\/2021 2021 (para a qual criou um cargo de subsecret\u00e1rio na Secult), que alterou a Lei n\u00ba 7.000\/01 que, conforme seu discurso neoliberal, surgiu como mais uma forma de incentivo e fomento \u00e0 cultura do Estado do Esp\u00edrito Santo. Mas essa lei que t\u00eam um cr\u00e9dito presumido para abater do imposto a ser pago, condiciona que projetos apresentados \u00e0 SECULT, ap\u00f3s sua aprova\u00e7\u00e3o, permite que os proponentes procurem as empresas em busca de patroc\u00ednio. Caso a empresa demonstre interesse, o recurso ser\u00e1 depositado diretamente ao proponente, que prestar\u00e1 contas ao final do projeto. Na verdade, n\u00e3o passa de um projeto reformulado do antigo SINCADES para atender aos interesses do empresariado.<\/p>\n<p>Afirmar o desinteresse e a falta de conhecimento \u00e9 at\u00e9 uma tautologia, porque um leva ao outro, ou seja, n\u00e3o existe interesse em conhecer a realidade. Se, conforme o Art. 184, houvesse a participa\u00e7\u00e3o de entidades da sociedade civil na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica estadual de cultura, obviamente a Secult teria a ci\u00eancia de que, s\u00f3 no que diz respeito ao teatro, existem mais de 60 grupos no estado. Provavelmente, levando em conta a mentalidade da cultura de resultados, poderia alegar que esses grupos n\u00e3o t\u00eam uma produ\u00e7\u00e3o permanente para serem entendidos tais, mas conv\u00e9m lembrar que muitos dos mesmos n\u00e3o t\u00eam feito montagens ou circulado justamente pela falta de apoio e inoper\u00e2ncia do estado, tanto nas esferas federal, quanto na estadual e nas municipais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m devemos levar em conta que a exist\u00eancia desse modelo de Editais de Cultura somente revela a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas reais e que contemplem os interesses e as necessidades da sociedade civil no fazer art\u00edstico e cultural. N\u00e3o que n\u00e3o devam existir os Editais, mas que sejam integrantes de um projeto mais amplo e s\u00f3lido e que n\u00e3o fiquem a merc\u00ea de um governo ou administra\u00e7\u00e3o em cada ano ou mandato de acordo com os interesses do mercado e do governo neoliberal.<\/p>\n<p>Ainda aproveitamos para relatar que foi formado em mar\u00e7o de 2021 um grupo de trabalho dentro do CEC, com a participa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara das Artes C\u00eanicas para a realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Estadual. Ap\u00f3s algumas reuni\u00f5es a Secult ficou de retornar com propostas e, desrespeitosamente nem satisfa\u00e7\u00e3o deram a esse grupo de conselheiros at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a> Quanto ao PEC, votado em 2014 pela Assembleia Legislativa do Esp\u00edrito Santo e sancionada pelo ent\u00e3o governador Renato Casagrande, estranhamente, at\u00e9 os dias atuais, nada se fez. Ali\u00e1s, pelo contr\u00e1rio, j\u00e1 ouvimos da Secretaria uma proposta de reformula\u00e7\u00e3o do Plano. Novamente, uma postura controversa e autorit\u00e1ria, considerando que o mesmo necessita ser implantado, ter um tempo experimental para que se entenda as reais mudan\u00e7as a serem feitas. Somente dessa forma se poder\u00e1 garantir a participa\u00e7\u00e3o efetiva dos segmentos organizados da sociedade civil para definir as prioridades no campo da cultura e a partir de suas verdadeiras necessidades.<\/p>\n<p>Entre outros eventos, destaco a chamada\u201d Festa da Criatividade debate rumos da cultura e economia criativa no Pa\u00eds\u201d. Um tema faustoso e, ao mesmo tempo, um engodo da propaganda da cultura de resultados do mercado capitalista. Uma festa midi\u00e1tica, sustentada pela fal\u00e1cia da autoridade, considerando a participa\u00e7\u00e3o de renomes nas redes sociais como M\u00eddia Ninja e outros \u201cfamosos\u201d que, talvez, nem sabiam onde estavam se metendo. Uma a\u00e7\u00e3o organizada, como sempre, a portas fechadas com empres\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es de sustenta\u00e7\u00e3o do governo neoliberal de Casagrande contra a senzala. A secretaria desse governo entende a democracia como decis\u00f5es de pautas que n\u00e3o sejam unilaterais, ou seja, que o Estado tome decis\u00f5es sozinho, mas ele se esquece que democracia o regime de governo cuja origem do poder vem do povo (demo, em grego). E, se num governo democr\u00e1tico, todos os cidad\u00e3os possuem o mesmo estatuto e t\u00eam garantido o direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, aqui se resume uma corrup\u00e7\u00e3o (\u201ccorrupto\u201d deriva do verbo latino \u201ccorrompo\u201d que significa \u201capodrecer\u201d, \u201cdestruir\u201d, \u201cperverter\u201d), na medida em que todos os projetos se organizam a partir de acordos entre setores do governo com empres\u00e1rios, sem a participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>A chamada \u201cFesta da Criatividade debate rumos da cultura e economia criativa no Pa\u00eds\u201d se realizou sem nenhum debate com o Conselho Estadual de Cultura para formular seu modelo e formas de opera\u00e7\u00e3o, assim como tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o da LICC e o repasse de recurso fundo a fundo. No evento n\u00e3o teve nenhuma participa\u00e7\u00e3o dos segmentos culturais organizados da sociedade civil e, mais perverso, muitos foram impedidos de participar, inclusive, membros do CEC. Talvez como \u00e1libi possam se justificar por terem convidado Ailton Krenak e o cacique guarani Marcelo Weradjekupe, mas tudo n\u00e3o passou de um golpe midi\u00e1tico para \u201cgarantir\u201d a participa\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios, uma postura costumaz no processo indigenista (o ind\u00edgena do ponto de vista do branco) que vigora no pais. Mas tudo redunda no discurso da economia criativa como um eufemismo do empreendedorismo e uberiza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Felizmente, Ailton Krenak fez diversas declara\u00e7\u00f5es denunciando as armadilhas desse discurso no pr\u00f3prio evento, inclusive, declarando sua obje\u00e7\u00e3o em transformar as aldeias ind\u00edgenas do pa\u00eds em \u201cPontos de Cultura\u201d, considerando que todas estariam ref\u00e9ns do modus operandi do sistema capitalista monitorando os povos origin\u00e1rios como se uma \u201cvantagem\u201d para os ind\u00edgenas serem integrados no sistema.<\/p>\n<p>Outra farsa foi a convocat\u00f3ria da Ger\u00eancia de economia criativa &#8211; GECRIA do Sebrae, em nome da SECULT, para a realiza\u00e7\u00e3o do encontro denominado \u201cImers\u00f5es da Cultura\u201d, com o p\u00edfio discurso de que a imers\u00e3o cultural \u00e9 um aprofundamento em um ambiente e tema espec\u00edfico da cultura (sic). Afirmavam que os participantes teriam a experi\u00eancia de \u201cmergulhar\u201d em uma cultura, vivenciando seus costumes compartilhando com outras pessoas da mesma \u00e1rea de conhecimento, os encontros s\u00e3o divididos em dois tempos. Poderia parecer perfeito se n\u00e3o passasse de um mero enunciado do romantismo populista, considerando que apareceram meia d\u00fazia de gatos pingados e que nenhuma entidade dos movimentos culturais tivesse sido convidada e sequer os membros do Conselho Estadual de Cultura fossem convidados a participar e nem mesmo consultados para a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estranhamente, os encontros foram distribu\u00eddos em \u201cLiteratura e Editoras\u201d, \u201cAudiovisual\u201d, \u201cPodcast\u201d, \u201cTeatro\u201d, \u201cFotografia\u201d, &#8220;Aplicativos e realidade aumentada (M\u00eddia digital)\u201d, \u201cModa\u201d e \u201cMoeda Social\u201d, entre 12\/05 a 22\/06, com atividades realizadas de 9 \u00e0s 18 horas, sendo, pela manh\u00e3, o compartilhamento de experi\u00eancias de \u201csucesso\u201d em cada \u00e1rea, como refer\u00eancia para o plano de a\u00e7\u00e3o e, na parte da tarde, os presentes se dividindo em grupos para se debru\u00e7ar sobre as problem\u00e1ticas, em temas espec\u00edficos, sugerindo solu\u00e7\u00f5es. Um perfeito exerc\u00edcio da fal\u00e1cia. Se o Estado estivesse mesmo preocupado com essas quest\u00f5es, o caminho mais f\u00e1cil e \u00f3bvio seria recorrer ao Plano Estadual de Cultura elaborado e discutido a exaust\u00e3o, a partir de diversas confer\u00eancias tanto regionais quanto setoriais, com os segmentos culturais organizados da sociedade, resultado de um ac\u00famulo de experi\u00eancias ao longo de d\u00e9cadas, onde se observou que os problemas permanecem os mesmos e o papel do Estado, idem.<\/p>\n<p>O chamado projeto das Imers\u00f5es foi vendido como fruto do Programa ES + Criativo, que \u00e9 um programa de Governo, executado por meio da Secult em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, e que vem formando parcerias para fomentar pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea de economia criativa em \u00e2mbito Estadual e Municipal. O grande problema \u00e9 que essas parcerias sempre se deram como acordos entre gabinetes e empres\u00e1rios e os principais interessados, diga-se de passagem, os movimentos culturais nunca foram chamados para participar e nem mesmo seus representantes do Conselho Estadual de Cultura foram consultados.<\/p>\n<p>Dito isso, podemos afirmar, sem medo de errar, que esse governo teve a pior secretaria de cultura dos \u00faltimos 40 anos da hist\u00f3ria do Esp\u00edrito Santo, calando as entidades, o Conselho Estadual de Cultura e o povo. Um governo que n\u00e3o cumpriu com seus compromissos de campanha, que passou todo o mandado com o Theatro Carlos Gomes fechado, a Casa da M\u00fasica S\u00f4nia Cabral &#8211; CMSC funcionando em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, sem nenhum projeto de amplia\u00e7\u00e3o de equipamentos culturais, ancorado nos insignificantes editais para a cultura como \u00fanica pol\u00edtica de apoio aos artistas, pegando carona na lei federal Aldir Blanc, na farsa da Lei de Incentivo \u00e0 Cultura Capixaba \u2013 LICC em benef\u00edcios e empoderamento dos empres\u00e1rios na decis\u00e3o do que lhes parece importante como arte no Esp\u00edrito Santo, etc.<\/p>\n<p>Sem esquecer a TV Educativa \u2013 TVE, que est\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios mandatos sem realiza\u00e7\u00e3o de concurso p\u00fablico. Embora tenha programas voltados para difus\u00e3o de parte significativa da produ\u00e7\u00e3o cultural do Estado, tem sido administrada sem m\u00ednima transpar\u00eancia, o que j\u00e1 foi denunciado pelo Sindip\u00fablicos e Sindijornalistas, sem que resposta ou provid\u00eancia por parte do governo.<\/p>\n<p>Enfim, o que parece estarrecedor \u00e9 que o movimento cultural, em quase sua totalidade, se manifestou num abaixo assinado em apoio a esse governo, mas de uma forma cega, sem exigir nenhuma contrapartida, mesmo sabendo que Casagrande n\u00e3o tem milit\u00e2ncia e nunca seria reeleito sem o nosso apoio. Temos que nos organizar para que, nesse novo mandato, a secretaria de cultura esteja menos interessada na promo\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio em viagens e festas de autopromo\u00e7\u00e3o, mas que tenha os ouvidos atentos para as demandas da sociedade civil organizada da cultura por um governo democr\u00e1tico de verdade e por um mundo melhor, onde a arte n\u00e3o se reduza a um produto de sustenta\u00e7\u00e3o de um governo de joelhos para a classe dominante.<\/p>\n<p>P.S.: Aos que quiserem confirmar o que eu disse em rela\u00e7\u00e3o ao autoritarismo do secret\u00e1rio de cultura, consultem as atas das reuni\u00f5es do Conselho Estadual de Cultura, n\u00e3o apenas as impressas que, por motivos \u00f3bvios, muitas falas foram omitidas, mas existem as gravadas que est\u00e3o no youtube.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/2022\/12\/28\/424\/\">Leia mais&#8230; &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":429,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424\/revisions\/429"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wilsoncoelho.praxis.pro.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}